terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Natal 2012


Com o Natal se aproximado, no fim de semana que passou, eu tratei de escrever a minha cartinha para o Papai Noel. Ela ficou mais ou menos assim:


Querido Papai Noel como eu me comportei bem durante o ano todo eu gostaria que nesse Natal o senhor:

Devolvesse o verdadeiro significado da palavra família, que para todos ela tenha o mesmo significado que tinha quando eu ainda era criança;
Traga de volta o respeito dos pais para com os filhos;
Traga de volta o respeito dos filhos para com os pais;
Traga “vergonha na cara” para o ministério da educação, que ele deixe de ser demagogo e passe a exigir que a escola cumpra, ao menos o seu papel fundamental, de formar cidadãos críticos e atuantes;
Sensibilize as universidades para que elas formem mais pedagogos e menos demagogos e hipócritas;
Traga um frasco de Sadol ou Biotônico Fontoura para não termos mais “memória curta”;
Nos ajude a deixar um pouco de lado o futebol e nos interessar por política e nos ensine a votar (o senhor pode incluir aqui também mais um frasco de Sadol);
Pense em no Nietz -“ ... a moralidade é a melhor de todas as regras para orientar a humanidade ...” - e abra espaço na sociedade para os valores éticos e morais já esquecidos;
Traga uma nova perspectiva que rompa com o silêncio dos justos;
Promova nossos alunos a estudantes;
Nos conscientize, para que a aprovação e o avanço de série seja uma recompensa à competência e a perseverança do estudante, e não mais um incentivo a mediocridade;
Traga a cura para as personalidades voláteis;
Faça com que as pessoas entendam que a vida não é uma empresa, então o objetivo não é lucrar financeiramente;
Faça todos perceberem que ter um grande amigo é melhor do que “conhecer” todo mundo;
Nos traga coragem e humildade para nos despirmos de nossas vaidades, permitindo assim que aceitemos nossa ignorância, nossa incapacidade e impotência em determinados momentos;
Nos ensine a distinguir entre igreja, religião e religiosidade;
Nos ajude a aceitar que existe algo acima de nós e o que muda, na crença de cada um, é apenas um nome, que o tempo e as culturas se encarregaram de atribuir;
Faça com que etnocentrismo exista apenas no passado das civilizações;
Ajude para que não banalizemos mais os sentimentos e as relações;
Me traga uma máquina fotográfica nova, uma Canon EOS 1Dx.

Tocando no Walkman:


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Se a escola é chata, o professor também é chato.


Parece óbvio o título do artigo, mas em meus longos anos como Professor, percebi que muitos discentes foram compelidos a abraçar a profissão de mestre, não por vocação, mas por falta de acesso a outras profissões de maior prestígio, com maior visibilidade social. Esta falta de vocação leva a atividade pedagógica a se tornar chata. Vejam bem, estou falando de se tornar chata a aula, a escola. Prova desta assertiva é a pesquisa divulgada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), vinculado ao Ministério da Educação, trazendo um dado que, se não impressiona pelo caráter inesperado da informação (muitos de nós já sabíamos disso a partir de nossas próprias experiências), chama a atenção pela extensão do problema: 40% dos jovens entre 15 e 17 anos que estão fora da escola a deixaram por desinteresse, devido à “chatice” da escola, vindo a necessidade pragmática de buscar emprego num distante 2º lugar (17%). O que é chato no dia-a-dia das salas de aula? Uma perspectiva de resposta estabelece que a escola seria chata sempre que se desconectasse da vida real, e seria interessante sempre que se mostrasse relevante, contextualizada, instrumental. Por essa perspectiva, largas parcelas da matemática, da filosofia e mesmo da chamada ciência pura estariam irremediavelmente condenadas à chatice, algo de interesse para uns poucos nerds. A chatice da escola não tem conexão necessária com o caráter abstrato e/ou formal dos conteúdos, e sim com a incompetência didático-pedagógica que apresenta tais conteúdos de forma desrespeitosa às regras da racionalidade. Tal incompetência se apoia fundamentalmente em duas perversões pedagógicas: primeiro, o autoritarismo de alguns professores, que além de não ter a vocação, vomitam princípios cuja explicação eles próprios desconhecem, e que devem na sequência ser aceitos e repetidos pelos estudantes, muitas vezes à custa de macetes mnemônicos, segundo, o menosprezo pelo questionamento dos estudantes. Tais perversões, conjugadas, fazem da sala de aula um contexto em que os estudantes primordialmente ouvem, e apenas esporadicamente falam (no sentido questionador do termo). Para que a sala de aula seja atraente é necessário, em primeiríssimo lugar, um professor que assuma com seriedade e competência seu papel de mediador, daquele que não apenas detém informação, mas franqueia discussão e oferece a necessária educação para a atividade intelectual de construção do saber. Que cada professor assuma, portanto, suas responsabilidades na desconstrução da alegada chatice da escola brasileira, e que o Estado promova e valorize neste professor esta competência que em muito transcende a prática chatíssima do amestrador. 

Tocando no Walkman:

domingo, 11 de novembro de 2012

O fim dos tempos?

Nessa nova “estação” de séries televisivas o que tem me chamado atenção é o alto grau de violência.
The Walking Dead, já no primeiro episódio da terceira temporada apresenta um festival de tiros e mostra Carl, um menino, que se transformou  num exímio abatedor de zumbis, e um Rick, antes angustiado, agora sorridente a cada disparo e que após a aparente morte de Lori é tomado por sua ira, e pelo que tudo indica no próximo episódio veremos uma “limpa” de errantes.

Em Fringe vemos um Peter que, após perder sua filha Etta Bishop pela segunda vez, passa a disparar deliberadamente contra os observadores e a matar com as próprias mãos, e Walter Bishop que, à medida que tem seu cérebro “reconstruído” e retoma a sobriedade, volta as suas raízes inescrupulosas e a apatia.
E Sons Of Anarchy já vinha desde a temporada anterior carregado de agressividade e nessa segue no mesmo rumo com muita pancadaria, tiroteios e o mortes.
Seria tudo isso um presságio do fim dos tempos? Afinal de contas o dezembro de 2012 já está ai!


É difícil não odiar pessoas, coisas e instituições quando elas quebram o seu espírito e têm prazer em te ver “sangrar”. Nessas horas o ódio é o único sentimento que faz sentido, mas eu sei o que o ódio faz com um homem, ele o afasta, o transforma em algo que ele não é. Algo ele que prometeu a si mesmo que nunca seria.
Isso é o que preciso te dizer para que saiba o quanto tento não cavar sob o peso de todas as coisas terríveis que sinto em meu coração.
Às vezes, a minha vida parece um ato de equilíbrio "mortal", pendendo para o lado contrário ao que eu deveria fazer. Reações impulsivas levando a soluções que estão a milhas do meu pensamento.
Quando olho o meu dia, percebo que a maior parte dele foi gasta pra limpar os estragos do dia anterior. Nessa vida eu não tenho futuro, tudo que tenho é distração e remorso. 

Três dias atrás eu enterrei meu melhor amigo, e o clichê disso tudo é que enterrei uma parte de mim junto, uma parte que eu pouco conhecia, uma parte que nunca verei de novo.
Todo dia é uma nova caixa, você abre ela e vê que você está lá dentro. Você é quem determina se isso é um "presente" ou um "caixão".

Jackson Nathaniel (Jax Teller - Presidente do SAMCRO)

Tocando no Walkman:

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Let there be Rock

Tsh, claro, eu sei, o professor Luciano "é do Rock"! 
Sempre que ouço algo assim tento entender o motivo que leva as pessoas a fazerem essa associação.
Seria por que eu não faço a barba com muita frequência, ou seria por causa das minhas tatuagens? Por causa da música que eu ouço é que não é!
Então o mais correto seria dizer "o Luciano é da boa música", mas para isso seria preciso entender uma frase que dou como resposta quando me perguntam o que eu defino como uma boa música.

"Para mim a boa música é aquela que a gente sente e não ouve!"

Para compreender essa frase é necessário um amadurecimento do gosto musical, mesmo que a questão não seja entrar no julgamento do que é bom ou ruim, mesmo porque, o bom ou ruim é uma questão de gosto, o fato é que alguns não tem, ou se tem, é um mau gosto decorrente da imaturidade cultural que felizmente alguns superam com o passar do tempo.

Nas minhas "veias" correm o Blues, o Jazz e o RnR, fontes que vertem para todos os estilos musicais modernos, até mesmo para o superficial Sertanejo Universitário e demais estilos sem personalidade que poluem as emissoras de rádio e TV de nosso acultural país.
O Luciano "da boa música", sem levar em consideração o absurdo modismo do "chucrismo" proliferado  por estes que enchem a boca para  pronunciar "eu sou gaúcho" sem conhecer a etimologia da própria palavra gaúcho, ouve o fronteiriço Leonel Gomez autor de músicas como Romance Musiqueiro e Alvorotada, que canta Acalambrado e Campo Santo!
O Luciano "da boa música" gosta de Norah Jones que conseguiu popularizar o Jazz sem corrompe-lo e agora se reinventou num estilo meio "Madona" e com guitarras elétrica mais salientes. Da brasileira Sandy Leah que no seu primeiro trabalho autoral mostrou o verdadeiro talento, mas ao que parece se arrependeu, pois não gravou mais nada de novo, e não sei porque, sempre tenta justificar suas composições, quando basta dizer que se ouve e se canta aquilo que se vive e que se sente!
O Luciano "da boa música" ouve também o minimalista Matthew Barber, e o as vezes frenético, guitarrista e cantor John Mayer, e também Amos Lee, que como Mayer já tocou com a Norah Jones.
O Luciano "da boa música" gosta ainda de Stevie Ray Vaughan e Slipknot, de Obituary, dos também minimalistas Flat Duo Jets e dos caipiras "rockers" Chrystian e RalfAlmir Sater.
Essa é uma sem fim, que ainda traz Brandi Carlile e toda aquela massa de rock gaúcho da década de 1980 e 1990 e todo o meu "Tocando no walkman".

Penso que se é para dançar então dancemos um tango, que se é para enlouquecer dançando que se enlouqueça em uma RAVE sob as pancadas eletrônicas de The Chemical Brothers e Fatboy Slim, que se é para curtir, que se curta um Rock, então Let there be Rock!


PS: Toca no Walkman porque o Luciano "da boa música" é do tempo da fita K-7, é um analógico nos tempos do digital.
As músicas do playlist não são escolhidas ao acaso, são músicas que eu ouvia quando ocorreram os fatos relatados ou durante a redação do post.

domingo, 2 de setembro de 2012

Uma sociedade secreta.

O importante desse vídeo está nos 1 minuto e 20 segundos!

A cada dia me sinto mais frustrado com uma luta que começa a perder o sentido a medida que percebo que o lado negro da força passa a ocupar todos os espaços possíveis na sociedade, inclusive, e hoje mais do que nunca, nas escolas.

O que ainda me faz seguir em frente é a consciência de que assumi um compromisso social quando escolhi a docência como profissão - Eu ESCOLHI ser professor, não foi por falta de competência para qualquer outra coisa, como aqueles que poluem as escolas. Muito menos pelo salário que não é grande coisa, escolhi essa carreira por um ideal, se fosse pelo dinheiro ainda estaria trabalhado como programador em troca de um BOM salário. Se fosse pelo comodismo ainda trabalharia como técnico administrativo com os turnos de trabalho certinhos, com horário para entrada e saída. Se fosse por outro motivo, hoje eu talvez já tivesse me corrompido e estaria me "tapeando", como muitos, por uma função de chefia ou cargo de direção.

Ouço, as vezes, pessoas "muito" comprometidas com o ensino falando que é preciso ter perfil para atuar como docente e me pergunto se o que listo a seguir serve para alguma coisa!
  • O fato de já ter dado aulas, em resumo, de algorítimos, diferentes linguagens de programação, física e matemática entre outras;
  • Ter uma formação que me permite ver onde cada área da ciência entra na minha área de atuação;
  • Ter trabalhado por mais de 11 anos com crianças, adolescentes, adultos e idosos, em todos os níveis de ensino;
  • Ter atuado por mais de 9 anos como técnico administrativo em ambiente corporativo - programando para uma multinacional ou fazendo manutenção em um grande parque de máquinas, ou gerenciando uma rede de computadores de tamanho considerável;
  • Ter trabalhado com profissionais sérios e do mais alto gabarito (com alguns trastes também).
Acredito que tudo isso aliado ao muito mais que compreende o ser professor, me permite hoje transpor o conhecimento científico para  o conhecimento escolar - a isso podemos chamar de transposição didática - , e também, trabalhar de maneira transdisciplinar, além de propiciar uma aprendizagem significativa. E se ainda assim não tenho o tal perfil, talvez me falte agora fazer parte da sociedade secreta que vou descrever mais abaixo.

São muitas as pessoas que questionam a escola de hoje, começando por Bill Gates e indo até os pais dos meus alunos. Aqueles pais conscientes e preocupados com o futuro do seu filho, e que depositam na escola a esperança de que ali aconteça aquilo a que uma escola de verdade se propõem, que é a formação de um cidadão critico e atuante, e mais, em uma escola de ensino técnico profissionalizante, a formação de um profissional competente.  

Para mim as vezes é difícil entender como, mas muitos alunos acreditam que as coisas acontecem apenas fazendo pensamento positivo, ou apenas "sendo" esforçado. De onde vem esse pensamento?
E ainda essa visão romântica e irreal da vida que a escola de hoje apresenta as pessoas e leva a pensamentos como:
  • Meu professor é muito duro comigo, me fala as verdades e eu não gosto de ouvir, eu vivo num conto de fadas e não quero sair dele.
  • O professor é muito rígido, cheguei atrasado e ele não entende que eu tenho que ficar mosqueando no corredor, preciso de alguns minutos até achar o rumo da minha sala.
  • Meu professor exige de mais de mim, além de vir a escola ele quer que eu estude em casa, ele diz que preciso saber no mínimo o elementar.
Os meus pais não ganharam nada de presente na vida deles, precisaram trabalhar duro para sair de um porão alugado onde moravam logo depois de casados, para hoje, deixar um "legado" para mim e meus irmãos. Para se ter uma ideia de quão grande eram as dificuldades, meu pai era fumante, e quando eu nasci ele precisou optar entre o cigarro e o leite para alimentar o filho recém nascido, porque o dinheiro era "curto".
Eu também não ganhei nada de mãos beijadas e se estou chegando a algum lugar, não é porque "Deus quis assim", nem por causa do meu pensamento positivo, é porque eu me dispus a dormir 4 horas por noite para poder estudar e trabalhar ao mesmo tempo, porque nunca me incomodei de me deslocar 300km diariamente para trabalhar, porque nunca achei ruim voltar para casa depois das 23h pegando aquele vento cortante com garoa gelada de frente na rua 24h. Se sei alguma coisa é porque eu nunca esperei nada mastigado, sempre fui em busca do que precisava para aprender.
Eu não conquistei meu espaço no mercado de trabalho me fazendo de "coitadinho", e por isso estão me dando uma chance, ou porque sou puxa saco de algum político. Se hoje tenho emprego e outras portas abertas é porque sou competente e existem pessoas que acreditam no meu trabalho.

A cada reunião de pais, eu olho e penso o quanto eles lutaram para ter seu filho ali, bem vestido e vivendo dignamente, e me pergunto novamente de onde vem esse pensamento de que a vida é fácil, será que é de casa,  da TV ou é da escola mesmo?

Para facilitar a compreensão de estou querendo dizer eu exemplifico com a seguinte suposição:
Hoje, ao que me parece, vem se formando uma sociedade secreta dos Medíocres e Incompetentes, seus membros: pessoas ignorantes e profissionais incompetentes. Esses que no passando foram aqueles alunos empurrados para frente, não aprenderam nada além de como ser um espertalhão e de como viver sem escrúpulos. 
E esses "empurrados" de hoje, amanhã poderão ser o nosso prefeito, o nosso supervisor, será o técnico em informática que vai fazer manutenção no computador onde estão guardas as tuas fotografias, tua coleção de mp3 e todos os teus documentos importantes.
Fechando o circulo, serão eles que amanhã inseridos na sociedade darão continuidade a essa política que eu chamo de "ponta a ponta" dando subsídios para trazer para "cima" os seus semelhantes.

A minha preocupação não é com o mercado de trabalho, pois acredito que o bom profissional, aquele que é competente e tem consciência do que faz sempre terá o seu lugar garantido pelo seu mérito, porém e infelizmente, sempre precisará dividir o espaço com essa "escória social" que existe atrapalhar.

Em meio a esse circo eu ainda tenho que ouvir pessoas questionarem meu comprometimento, e ai eu volto a me perguntar:
  • Ser uns dos primeiros a chegar no trabalho; 
  • No turno da noite ser um dos últimos, quando não o último a sair do campus;
  • Fazer o meu trabalho e o dos outros;
  • Atender alunos no fim de semana;
  • Receber aluno em casa, fora de horário;
  • Estar continuamente estudando sobre todos os assuntos e sobre todas as áreas;
  • Sair a passeio e levar junto os trabalhos para ler e corrigir (não por falta de organização);
  • Parar o carro na estrada para responder um email porque seu aluno ter urgência no retorno.
Poderia continuar enumerando, mas vou resumir dizendo que o meu comprometimento é com a qualidade da educação, não com as políticas educacionais que cada escola e supervisor, inconsequente e alienado, se encarrega de distorcer. Hoje meu comprometimento é com o pai do aluno que deposita em mim a esperança no futuro do seu filho.
Descomprometida é a "escola" que mente para o aluno, e além de tudo é inconsequente levando a ele um a visão distorcida da vida. A escola que não tem supervisão fica assim, NÃO ensina a aprender, NÃO ensina a fazer, NÃO ensina a viver, muito menos em sociedade,  NÃO ensina a ser nada além de um espertalhão e oportunista. 
Nesse contexto quando falo "escola" estou resumindo o conjunto a professores, diretores e supervisores. Desse pequeno grupo vejamos do que lhes cabe segundo a LDB.
Artigo 13 - Os docentes incumbir-se-ão (entre outros) de :

III. zelar pela aprendizagem dos alunos;

V. ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento profissional;

VI. colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade.
Em nenhum lugar eu li que professor tem que ser "amigo" do aluno - "prof meu bruxo" não existe -, professor não deve íntimo e não tem que dar festinhas para os seus alunos. O professor dever ser próximo ao aluno, no sentido de estar ao alcance dele, mas íntimo nunca.

A LDB ainda fala que os professores merecem um profissional para supervisão e orientação educacional, está lá no artigo 64 assim.
Artigo 64 - A formação de profissionais de educação para administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica, será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação, a critério da instituição de ensino, garantida, nesta formação a base comum nacional.
Se esse supervisor deve ser graduado, entendo então que ele estudou e para conquistar o título foi avaliado. Se foi avaliado e conquistou o título ele deve saber no mínimo 70% do que estudou, isso é, no mínimo o elementar da sua área de formação. Essa é uma linha de raciocínio fácil de seguir, até aqueles meus aluninhos de 5 e 6 anos conseguiriam acompanhar, não é difícil.
Acredito não basta ter o título, se vai prestar orientação educacional, deve saber então o básico sobre o que vai orientar, no caso o que está escrito na Lei de Diretrizes e Bases da Educação nacional, ou melhor, deve saber interpretar o que está escrito ali. Compreendo que as vezes para alguns é difícil se expressar falando, muito mais é, compreender um texto que por vezes é um pouco complexo e em alguns trechos parece ambíguo, mas não custa nada devemos deixar nossos interesses e vaidades pessoais de lado e tentar superar nossas limitações, um bom começo as vezes é reconhecer a nossa mediocridade. 

A "escola descomprometida",  inconsequente e sem supervisão não se preocupa com nada além dos números, quantos se formarão se formarão e consequentemente o quanto virá de financiamento no ano seguinte.
Eu, particularmente,  prefiro viver por alguns anos as "vacas magras", formando meia dúzia de profissionais de alto quilate, do que colaborar com essa política de números e com o crescimento dessa sociedade secreta. Quero que o aluno procure a escola onde eu trabalho porque busca um ensino de excelência e não porque vem em busca de um status que na verdade nem se quer existe, e muito menos porque já ouviu falar que bastar se matricular para ser aprovado no fim do ano.

Sei que se eu for conivente com essa palhaçada, é de mim que o aluno vai lembrar quando sair para o estágio e NÃO souber nem para que lado se aperta um parafuso, pois a culpa é do professor/escola que o iludiu com esse mundo utópico. A mim importa poder ir ao supermercado sem ter que ouvir comentários de como a comunidade enxerga o a minha escola, de como ela é considera um engodo. Quero ter a consciência tranquila sabendo que quem sustenta esse circo não sou eu.

Deixo algumas referências para consulta, pois por mais incrível que pareça, existem pessoas ligadas a educação, que mesmo, apesar de sua formação, não sabem a finalidade de um instrumento de avaliação - talvez façam parte da sociedade secreta que citei mais acima -, quem dera saber o significado de transposição didática ou sobre teorias da aprendizagem, ou conhecer os pilares e dimensões da educação. E pelo tamanho da bagunça que fazem e pela quantidade de equívocos, com certeza não sabem nem mesmo para que foram instaurados os Institutos Federais de Ciência e Tecnologia.

Pensando agora me pergunto, mas afinal quem sou eu para falar sobre educação se eu não passo de um NERD da computação, um louco que mexe com robôs, um alienado que toca guitarra e ouve Rock n'Roll, eu nem mesmo faço parte dessa sociedade secreta muito menos sou pedagogo e também não sei nada de sociologia. Com isso imagino o quão frustrante e constrangedor deve ser não saber o elementar de sua profissão, como deve ser causticante quando alguém se percebe como um completo incompetente!

Referências:

Para quem trabalha em um Instituto Federal de Ciência e Tecnologia e não sabe o que faz lá dentro:

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Panis et Circenses

De uma entrevista com Bill Gates extraí alguns trechos que considero pertinentes a “minha realidade” e abaixo contextualizo (em itálico) com tal – no passado Gates foi um homem sem escrúpulos e socialmente não serviria como referência alguma, porém hoje o seu discurso serve e merece uma reflexão.

Para Bill Gates: Fale sobre como a "política educacional de vida fácil para as crianças" tem criado uma geração sem conceito da realidade, e como esta política tem levado as pessoas a falharem em suas vidas posteriores à escola. (a “escola” hoje não forma mais cidadãos críticos e atuantes, forma incompetentes e permeia a sociedade com escória)

Regra 1: A vida não é fácil - acostume-se com isso. Nem a escola de verdade.
Regra 3: Você não ganhará R$ 20.000 por mês assim que sair da escola. Você não será vice-presidente de uma empresa com carro e telefone à disposição antes que você tenha conseguido comprar seu próprio carro e telefone. Se você quer alguma coisa tem antes que fazer por merecer, então façam o quanto antes, pois não terão os pais de vocês para lhes “alcançar as coisas” a vida toda.
Regra 4: Se você acha seu professor rude, espere até ter um chefe. Ele não terá pena de você. Vocês devem questionar aquele professor que tenta facilitar as coisas para vocês, se ele age assim é porque numca atuou em ambiente corporativo e não tem uma visão da "vida real”. Lá você trabalha e produz ou “está fora”. Não é fácil para quem está preparado, menos ainda para quem não está. Se consideram os meus comentários ácidos, esperem até sair da escola, o choque vai começar já na entrevista de trabalho.
Regra 5: Vender jornal velho ou trabalhar durante as férias não está abaixo da sua posição social. Seus avós têm uma palavra diferente para isso: eles chamam de oportunidade. O mercado de trabalho se divide entre os competentes e os incompetentes, a distinção não deve ser feita pela atividade que a pessoa exerce e sim pela qualidade do seu trabalho.
Regra 6: Se você fracassar, não é culpa de seus pais, então não lamente seus erros, aprenda com eles. Antes de projetar a culpa em alguém "se olhem no espelho", tudo o que acontece a vocês é repercussão do seu comportamento, resultado dos seus atos!
Regra 8: Sua escola pode ter eliminado a distinção entre vencedores e perdedores, mas a vida não é assim. Em algumas escolas você não repete mais de ano e tem quantas chances precisar até acertar. Isto não se parece com absolutamente NADA na vida real. Se pisar na bola, está despedido, RUA!!!!! Faça certo da primeira vez. No mercado de trabalho não existe lugar para “profissionais” medíocres.
Regra 9: A vida não é dividida em semestres. Você não terá sempre os verões livres e é pouco provável que outros empregados o ajudem a cumprir suas tarefas no fim de cada período. Com a dedicação que vocês demonstram hoje, se um dia conseguirem se inserir no mercado de trabalho, não passarão do período de experiência, pois não terão um colega do lado para copiar o trabalho, se não souberem o seu ofício serão despedidos.
Regra 11: Seja legal com os CDFs (aqueles estudantes que os demais julgam que são uns babacas, aqueles que parecem só estudar). Existe uma grande probabilidade de você vir a trabalhar PARA um deles. Com a postura que vocês estão adotando é a isso que estão fadados.


O que se vive hoje dentro das escolas e a maioria não percebe, é uma reprodução da política do pão e circo, os alunos se satisfazem com o “nada”, isto é, basta ser aprovado no fim do ano, pois o “conhecimento” não interessa mais.
A precariedade da escola e do ensino é deixada de lado quando essa preocupação é substituída por jogos interescolares, festinha Junina, semana Farroupilha, comemorações do dia do Aluno  (não mais do estudante) e qualquer outro momento que não envolva os livros.
São todos momentos legítimos e tem sua validade sociocultural, porém não devem nunca substituir a sala de aula e nunca substituirão da maneira como são conduzidos.
Se querem chegar a algum lugar pensem nas regras 1, 3 e 4.



Juramento do cavaleiro (moderno).

Não demonstre medo diante de seus inimigos. 
Seja bravo e justo, diga sempre a verdade, mesmo que isso o prejudique.
Proteja os mais fracos e seja correto.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Balanço dos meus últimos 18 meses

Nessa semana fiz um balanço dos últimos 18 meses. Nesse período viajei mais de 23 mil Km, visitei duas ilhas, o local mais remoto na terra que é habitado pelo homem, a cidade mais ao sul do globo terrestre, conversei com descendentes diretos de uma linha muito antiga da civilização humana, dirigi a mais de 240km/h, mergulhei no pacífico sul, andei de trenó puxado por cães da raça Husky, conheci pessoas de todos os continentes, vi animais que nunca havia visto antes e alguns que nem se quer imaginava existirem, conheci algumas pessoas incríveis e que realmente fazem a diferença. Pisei e naveguei por onde figuras importantes da historia da humanidade passaram. Tive a oportunidade de estar em meio a paisagens fantásticas que te tiram o fôlego não importa em qual direção você olhar, isso me fez perceber que nada que o homem venha a construir conseguirá superar a beleza da natureza. Conheci ícones da cultura e da ciência.  Bebi mais de 30 marcas diferentes de cerveja. Não preciso mais me deslocar 300km diários para trabalhar, hoje saio do trabalho e em pouco mais de 3 minutos estou entrando com o carro na garagem de casa.

Por outro lado compreendi o porquê de alguns povos terem aversão ao brasileiro, vi com os meus olhos os motivos pelos quais o Brasil tem certa imagem no exterior, nesse período conheci a ganância humana, a indiferença e a hipocrisia, pela primeira vez vi tanta gente mal-intencionada e preguiçosa reunida em um mesmo lugar, conheci pessoas egocêntricas e promíscuas, corruptas e incompetentes, conheci pessoas realmente más e percebi que alguns nascem sem a menor vocação para serem "humanos".
Entendi que não é uma questão de classe social ou de formação, e que a idade também não importa no que diz respeito aos valores éticos e morais, percebi o quanto é fácil as pessoas se corromperem por alguns míseros trocados. 
Confirmei o que Cesar Lattes disse a muito tempo, que no Brasil já não se faz mais ciência pela ciência e sim pelos "papéis", vi também como as pessoas hoje gostam de brincar de cientistas e também de trabalhar. Pela primeira vez em 15 anos preciso me esforçar para sair de casa para ir para o trabalho. Constatei a volatilidade dos sentimentos e como é natural para algumas pessoas ser superficial e indiferente. Vi como é simples compensar a ausência com "presentinhos" e como fica comodo projetar nos outros as nossas falhas.
Notei que fora do Brasil poucos assinam com a titulação a frente do seu nome, que quem compra um SUV é porque tem uma família grande e precisa carregar as tralhas da criançada, que quem dirige uma pickup é porque exerce trabalho braçal e precisa carregar as ferramentas, e quem quer pagar embuste paga mais de meio milhão de dólares em um carro esportivo!
Percebi que existem alguns brasileiros que conseguem ser mais idiotas do que qualquer outro povo e  que vivo em um país acultural onde o modismo - aqui no sul, o do bagualismo - norteia os momentos.
Tenho a cada dia mais certeza de que a educação no Brasil não passa de um engodo. Vi como é triste as pessoas confundirem liberdade com promiscuidade. Ouvi "ecochatos" falando em ser ecologicamente corretos e acolhendo animais de rua, e no entendo, tratarem o seu semelhante sem um mínimo de humanidade. Ouvi pessoas imorais se intitularem moralistas. Vi também como as pessoas justificam "viver abusivamente" com "viver intensamente".

Isso tudo reforça meu pensamento de que:
Não é tao simples viver a vida, mas precisamos vivê-la de maneira tal que quando chegarmos ao fim da nossa existência, sem arrependimentos, tenhamos certeza de que valeu a pena ter vivido cada momento. 
E entre tantos filmes e seriados que assisti nesses meses percebi como alguns realmente imitam a vida real. No final do filme Shutter Island o personagem de Leonardo DiCaprio se pergunta o que seria pior:
Viver como um monstro ou morrer como um homem bom?
Hoje eu vejo que não é só a América do Norte que se tornou um lugar cruel e corrompido, e assim como Frank - personagem em God Bless America - me pergunto:  
O que nos tornamos?
Nós recompensamos o que há de mais superficial, mais estúpido, pior e mais barulhento.
Não temos mais senso de decência, de vergonha, de certo ou errado.
As piores qualidades nas pessoas é o que nos chama atenção e atrai.
Mentir e espalhar o medo é bom. Contanto que se ganhe dinheiro ...
Nós perdemos a nossa bondade.
Nós perdemos a nossa alma.
Esse período de 18 meses, com raras exceções, não me serviu para nada a não ser para me levar a perder o restante de  fé no ser humano, que eu ainda carregava, e em 34 anos pela primeira vez na vida me arrependo de decisões que tomei e de escolhas que fiz.
Hoje se eu tivesse uma máquina (como a dos observadores) capaz de apagar esses 18 meses da linha do tempo, essa seria uma boa oportunidade para utilizá-la.


Tocando no Walkman:

quarta-feira, 18 de julho de 2012

As notícias podem ser boas para os professores


Abaixo uma reflexão que fiz ainda em 2010, sobre o texto de Marcos Francisco Martins. E hoje, passando da metade do ano de 2012, continua atualizadíssima.

Devido a grande oferta de vagas para professores, o que se percebe é uma migração de profissionais que não conseguem se colocar no mercado de trabalho e veem a docência como uma saída para o desemprego. Muitos destes provavelmente se antes indagados estariam entre os 83%, citados por Martins, que optariam por profissões desvinculadas a docência.

Penso que a docência não é apenas uma questão de dom para ensinar, mas sim, além disso, é uma questão de opção/condição de ser e estar consciente da profissão.
Essa parcela que migra, do meio corporativo para o acadêmico, vem em busca do emprego sem estar ciente do trabalho do professor. Muitos acreditam que basta ler o capítulo de um livro, logo depois "expor" o que leu aos seus alunos, e duas vezes por semestre aplicar uma "prova". Não imaginam eles, todo “o mais” que acompanha a profissão, por isso, muitas das reclamações por parte de professores e alunos. De um lado os professores, indignados com as "dificuldades" da profissão, e do outro os alunos, insatisfeitos com o despreparo de seus professores. E como reflexo disso, temos esses 83% que no futuro não pretendem seguir carreira vinculada a docência. Porém, esses mesmos alunos como profissionais mal formados, instruídos por maus professores, não conseguindo ingressar no mercado de trabalho "tentam a vida" como professor, ou outra atividade nos meios acadêmicos, fechando assim o ciclo.

Em virtude disso, posso afirmar com certeza, que o professor hoje é o responsável, e porque não dizer o único,  a “cavar a própria cova”. Se o professor não se compromete, não se prepara e não valoriza a si próprio como profissional, por que deve ser reconhecido e valorizado por outros segmentos da sociedade?

Tocando no Walkman:

sábado, 14 de julho de 2012

As perdas na vida

Hoje curtindo o friozinho das 6h madrugada  ainda decidindo se saia da cama ou se "morgava" mais um pouquinho, comecei a fazer um balanço e percebi o quanto perdemos nas nossas vidas.
Quase que diariamente se não somos nós é alguém próximo da gente que sofre uma perda, e essa perda pode ser algum ente querido que parte, um amigo com quem nos decepcionamos ou um amor que se acaba. Esse sentimento de perda só não viveram ainda os muito novinhos, mas é um sentimento iminente e só não sentirão os egocêntricos de mais.

As vezes é difícil aceitar a perda de um ente querido, mas precisamos pensar o quanto seríamos egoístas desejando que a pessoa que partiu estivesse para sempre ao nosso lado - e quando a gente partir como que a outra pessoa fica? Será que não sofre mais uma mãe ou pai que perde o filho por exemplo, do que o contrário? -, e se essa pessoa querida já estava velhinha ou doente e totalmente dependente de outros, seria justo para ela viver assim? E quando a pessoa parte tendo ainda "toda vida pela frente", o que pensar?
Em qualquer um dos casos, a mim particularmente conforta a ideia de que quem partiu foi para um lugar melhor e está bem.

As pessoas se corrompem por dinheiro, por fama, por ascensão social e as vezes porque são "pequenas" mesmos. Pode acontecer, um amigo que estimávamos de uma hora para outra se revela uma pessoa antiética e amoral e percebemos que todo aquele sentimento de amizade que depositamos era unilateral, que o que provinha do outro lado era apenas por conveniência ou interesse, nos sentimos então arrasados e traídos ao notar que fizemos papel de bobo, mas fazer o que nessas horas?
Deixemos passar e sem ignorar os fatos aprendemos a observar melhor, e aos poucos vamos selecionando nossas amizades.
Sempre achei que mais vale meia dúzia de amigos de alto quilate do que centenas de "amigos". Selecionemos e guardemos então essas amizades preciosas no bolso do casaco, de preferência no bolso esquerdo para ficarem mais próximas do coração. E ao restante não damos as costas, mas mantemos certa distância, porque em trinta e tantos anos já aprendi que para má índole não existe remédio - como dizia meu pai, caco é caco!

E os casais, quando o amor acaba? Quando caba acabou! Porém o respeito e a dignidade não podem acabar nunca, não acredito que exista "aventura" que valha a pena viver e correr o risco de perder a confiança que alguém depositou na gente, ou pior ainda ferir moralmente esse alguém, principalmente se alguém for a pessoa que te ama.
Penso que ninguém tem obrigação de amar ninguém, nem tanto de permanecer junto de alguém contra sua vontade, porém temos obrigação moral de respeitar ao próximo.

A verdade é que de uma forma ou de outra a "dor da perda" é um sentimento que mais cedo ou mais tarde assolará a todos nós, precisamos aprender a lidar com ela, e haverão casos em que essa dor não passará, por vezes nós nos acostumamos, com o tempo, a viver sem aquela pessoa querida ao nosso lado. A lembrança do pai que partiu, da mãe e do irmão, do tio e do amigo que não estão mais com a gente, vai sempre nos acompanhar em forma de saudade. E ainda haverão dias que tu irá acordar pensando nessa pessoa, sairá para trabalhar e pensará o dia todo nela, quando voltar para casa ainda estará pensando e dormirá pensando nela, não se angustie e aproveite esse sentimento de saudade para relembrar com carinho da pessoa amada que não está mais próxima de ti.
As vezes ajuda pensar que eles estão nos vendo, e quem sabe um dia como afirma Sylvia Browne, nós nos reencontraremos como já fizemos inúmeras vezes e apenas não temos lembramos agora.
Não adianta também como uns, carregar o desejo de voltar no tempo e pensar - " ah se eu tivesse tido mais um dia..., se eu tivesse ou não tivesse dito ou feito isso ou aquilo". Mesmo que tivéssemos uma vida inteira para viver novamente e fazer algumas coisas de forma diferente, com certeza existiriam outras coisas que no fim teríamos vontade de mudar!

E o amigo que nos "apunhalou pelas cotas"? Temos que concordar que não precisamos de amigos assim, deixe de lado e aprenda a identificar pelo discurso e mais ainda pelos atos, as pessoas nas quais você pode confiar, observe o entonação e não as palavras, - conheci uma pessoa que afirmava ser "muito moralista", mas na verdade é extremamente amoral, conheci outra que criticava arduamente o comportamento antiético de algumas pessoas no trabalho e mais tarde se mostrou uma pessoa com completa falta de ética e também moral.

E o namorado ou namorada que nos "deu um balão", se terminou é porque o sentimento não existia mais, então como já disse antes acabou, sigamos em frente cada um cuidando da sua vida e cultivando a amizade que é muito legal, mesmo porque o mundo gira! Se terminou porque a pessoa não soube te respeitar, significa então que ela era "pouco" para você - nesse caso o mundo também gira -, esqueça dela e uma hora você encontrará alguém que valha a pena.

Em tudo isso são importantes os valores de família, os pais cuidam dos filhos, depois o papel se inverte. Os pais ensinando valores éticos e morais aos filhos. Muito disso se perdeu na "sociedade moderna", que não conhece mais esses valores e é permeada em todos os âmbitos por um comportamento de promiscuidade que por uns é considerado "natural". Os pais também não preservam mais os filhos; gravidez continua sendo artifício para sustentar casamento; achado não é roubado e o que importa sou eu e eles que se danem.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Norah Jones no Brasil!!!

Está confirmada a vinda da "Norinha" ao Brasil mais uma vez, dia 12 de dezembro ela toca em POA, meus planos eram para nessa data estar bem longe, mas agora começo a repensar! 
Quero ver de perto a meiguice da Norah, ouvir sua voz sensual numa mistura de jazz, blues, folk e agora pop... quem quer ir comigo? Tem tempo mais que de sobra para se programar...

PS: nessa nova fase ela assumiu de vez seu gosto pelas guitarras, sem deixar de lado os pianos é claro.


sexta-feira, 8 de junho de 2012

Montando imagens JFFS2

A popularização dos dispositivos móveis com suas constantes atualizações de firmware, que hoje são feitas  "a quente" e de maneira simples e descomplicada leva a curiosidade sobre como modificar ou apenas personalizar esse firmware, e isso é latente em sala de aula onde os questionamentos sobre o assunto são semanais.
Sistematizei aqui os passos para fazer a montagem de imagens Journalling Flash File System (JFFS2) utilizando uma distribuição linux qualquer, de maneira que qualquer um consiga ter acesso ao conteúdo do firmware e assim fazer as personalizações desejadas.
O JFFS2 tem sido empregado por grande parte dos fabricantes de dispositivos móveis que na maioria que  utilizam memórias Flash NAND [...] como no BA que falei em outro post.
Existem conjuntos de ferramentas para automatizar a montagem imagens de sistemas de arquivos desse tipo, mas para quem vai fazer isso uma vez ou outra, acho mais interessante montar manualmente - e também nos afasta da monotonia do clique aqui, clique ali. 
No Linux conseguimos fazer isso de duas maneiras, por emulação de  bloco Memory Technology Device (MTD) ou por emulação de memória MTD, vou abordar a segunda opção que eu acho mais simples e é a que eu sei fazer.

O primeiro passo é instalar o pacote MTD-TOOLS
apt-get install mtd-tools
Depois precisamos carregar os módulos MTD, não é necessário recompilar o kernel e tê-los estáticos, podemos carregar dinamicamente com modprobe [...] apenas quando precisamos.
modprobe -v jffs2
modprobe -v mtd
modprobe -v mtdblock
modprobe -v mtdchar
modprobe -v mtdram total_size=49792 erase_size=256

NOTA:  total_size=49792 é o tamanho em Kb da imagem que vou carregar.

Em seguida usando o dd copiamos a imagem JFFS2 para um dispositivo mtd que em /dev vai de mtd0 até mtd15 se não me engano. Usamos o primeiro se esse estiver vago.
dd if=rootfs.jffs2 of=/dev/mtd0
O arquivo rootfs.jffs2 é a imagem que estou preparando para montar, logo falo sobre ela.

Por fim montamos o dispositivo em um ponto qualquer.
mount -t jffs2 /dev/mtdblock0 /mnt/imgjffs2

Daqui para frente basta copiar os arquivos que estarão dentro de /mnt/imgjffs2 e fazer as modificações que quiser. Em outro momento falo como empacotar a imagem modificada, o que também é simples de fazer.

Utilizei esse método para extrair o conteúdo da imagem de firmware do GoFlex da Seagate. Foi uma forma que encontrei para avaliar suas funcionalidades, já que não tenho o hardware, se eu encontrar algo útil vou agregar ao meu BA com Debian.

Tocando no Walkman:

sábado, 2 de junho de 2012

Jailbreak de iDevices

Todos aqueles proprietários de dispositivos da Apple que não se limitam ao uso trivial das máquinas se deparam um com problema, o bloqueio do iOS que não permite a instalação de programas que não são disponibilizados pela loja da Apple. Para nós brasileiro o problema é ainda maior, muitos aplicativos disponíveis na loja americana não estão disponíveis na loja brasileira - isso se soluciona criando uma conta na loja deles, mas o que com o tempo se torna um transtorno.

Uma solução definitiva para tudo isso é o uso de repositórios  alternativos, como Cydia e o uso de um programa chamado Installous [como instalar] que permite a instalação de programas "out Apple Store".

O primeiro passo é fazer o Jailbreak -  essa prática não pode ser considerada uma contravenção, pois estou modificando o OS de um equipamento que é meu, pelo qual eu paguei - aqui não se leva em consideração os atos que você irá cometer após fazer o desbloqueio do dispositivo -  se decidir que vai instalar programas piratas ou "crackeados" não esqueça que pirataria é crime.

Quem quer fazer o Jailbreak deve começar por aqui e consultar a disponibilidade de Jailbreak para o seu dispositivo.
O procedimento é simples e indolor, basta fazer o download do executável e seguir os passos, o Cydia éinstalado junto e os passos para instalação do Installous estão mais acima nesse post.

Tocando no Walkman:

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Blackarmor 400 com Debian 6


Recentemente comprei um  Blackarmor 400 (BA400) da Seagate, ele cumpre o papel ao qual se propõem, o de servidor de arquivos e outras bobagens, mas para mim seu S.O. original é bastante limitado.
Com um processador de 1.2Ghz e espaço ilimitado em disco as possibilidades são muitas! Sai em busca de possíveis modificações e encontrei no fórum da própria Seagate uma discussão onde o pessoal comenta sobre a instalação do Debian Lenny no Blackarmor 200.

Segui os passos e migrei o meu BA400 para o Debian 5.0.7, depois fui além, atualizei para o Debian Squeeze - apenas os binários, não mexi no kernel ainda - e coloquei o painel de botões e o LCD para funcionar - o BA220 no qual o pessoal do fórum começou os experimentos não tem LCD.

Abaixo segue a descrição dos meus passos para quem quiser fazer o mesmo.
  
Primeiro você deve seguir os passos descritos aqui com isso você já terá o sistema básico do Debian 5.

Em seguida será necessário atualizar o /etc/apt/sources.list com as seguintes linhas - as duas última são necessárias apenas para quem quer instalar o Webmin.
deb http://archive.debian.org/debian/ lenny contrib main non-free
deb http://download.webmin.com/download/repository sarge contrib
deb http://webmin.mirror.somersettechsolutions.co.uk/repository sarge contrib
Execute o comando  apt-get update para atualizar a lista de pacotes e instale o seguinte -  do pacote tree para frente foi uma opção minha.
apt-get install nfs-kernel-server samba vsftpd iscsitarget tree vim ntfs-3g mc usbmount localepurge flexbackup webmin
ATENÇÃO quem quiser instalar o webmin antes deve  adicionar a chave do repositório como mostro a seguir. 
cd /root
wget http://www.webmin.com/jcameron-key.asc
apt-key add jcameron-key.asc
\rm jcameron-key.asc
Agora os passos para atualizar para o Debian 6

Modifique a primeira linha do /etc/apt/sources.list e deixe assim:
deb http://ftp.debian.org/debian/ squeeze main contrib non-free
execute os três comandos abaixo e pronto.
apt-get update
apt-get dist-upgrade
apt-get clean
Transmission um cliente de bitTorrent

Quem quiser pode inda instalar um client de torrent muito interessante e funcional que possui uma interface web.
apt-get-install transmission-cli transmission-daemon
Aqui Transmisson-Remote, uma GUI  mutltiplataforma para o Transmission parecida com a do uTorrent.

O LCD

Para fazer o LCD e também o botão power funcionar - tanto para o Debian 5 quanto 6 - siga os seguintes passos:

Extraia do firmware original os seguintes arquivos: 
/etc/btn.poweroff
/etc/init.d/S99lcm
/usr/sbin/wixsendevent
/usr/sbin/btn_monitor
Copie os arquivos para o mesmo local na sua nova instalação do Debian e faça as alterações necessárias nos scripts - os dois primeiros arquivos - para adequar a sua realidade

Carregue o serviço /usr/sbin/btn_monitor ou reinicialize o NAS e pronto.

No meu BA ainda estou enviando as mensagens de inicialização para o LCD...aqui o post no fórum para quem quiser acompanhar por lá.

Stream multimídia

Um servidor simples e leve FireFly (o site oficial está fora do ar faz um certo tempo)

Para quem  usa iTune ou algum "iDevice" e quer fazer broadcast Apple File Protocol instale antes:
apt-get install netatalk
Indique a interface de rede no fim desse arquivo, apenas escreva por exemplo eth0, egiga0...
/etc/netatalk/atalkd.conf
Instale o seguinte serviço para forçar o broadcast contínuo
apt-get install avahi-daemon
e edite o arquivo
/etc/avahi/services/afpd.service
deixe ele assim
<?xml version="1.0" standalone='no'?><!--*-nxml-*-->
<!DOCTYPE service-group SYSTEM "avahi-service.dtd">
<service-group>
<name replace-wildcards="yes">%h</name>
<service>
<type>_afpovertcp._tcp</type>
<port>548</port>
</service>
</service-group>

Instale o mt-daapd (FireFly) e o libid3tag0 que permite a leitura de metatags ID3.
apt-get install mt-daapd libid3tag0
Carregue o serviço mt-daapd e acesse o seu NAS na porta 3689, o usuário e a senha padrão é mt-daapd.
Agora o seu NAS, servindo media, vai aparacer no Finder do MAC OS ou na sessão compartilhamento do iTunes!
Daqui para frente é só personalizar...


 

PS: o "software livre" apesar de desorganizado e com grande parte da sua comunidade desviando o foco da sua "filosofia inicial"  - mesmo que alguns digam quem software livre é uma questão de liberdade e não de preço, ha uma distorção nessa história -, ele ainda nos permite utilizar nossos equipamentos da forma como queremos. 

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Retornando para Santiago

Levantei cedo da cama e tomei café aguardando a chuva parar, quando deu sai para rua, fui fazer umas comprinhas no mercado de artesanato que fica na rua principal, passei na agencia dos correios para despachar o postal do Cristiano - mandei selar e carimbar, estou levando em mãos que é mais rápido -, socializei mais um pouco...
Agora estou no hostel aguardando o horário do voo, chegando em Santiago acho que terei mais tempo para escrever, visto que, vou ficar apenas pelo bairro Bellavista, onde existem muitos bares e outros locais interessantes para fotografar e conhecer, comidas e bebidas para provar - entre uma degustação e outra pretendo escrever um pouco. 
Separei mais alguns trabalhos da tigradinha do Integrado em Informática para eu fazer a correção durante o voo de retorno, até chegar ao Brasil eu devo ter terminado todos - espero que tenham caprichado no último trabalho que deixei!


Por gentileza, aquele que comentar o post se identifique, de outra forma eu não poderei publicar.

Tocando no Walkman:

Dia do retorno para o continente.

Hoje é dia de retornar para Santiago, vou passar mais dois dias por lá, será pouco tempo para conhecer os  teatros, bares e galerias, mas se eu seguir no mesmo ritmo de 4h de sono por dia vai dar para ter uma ideia de como que é. 

Noite passada, no "buteco", presenciei uma "discussão" entre duas britânicas, uma de 23 anos e outra mais velha de 30 poucos anos. A discussão surgiu em torno das mulheres brasileiras, eu só escutando - por vezes pensei em me esconder em baixo da mesa!
Para a mais nova, as mulheres de uma forma geral, não só as brasileiras estão se comportando de maneira vulgar, e confundem "liberdade" com "promiscuidade". A mais velha começou a se esquentar e insinuou que ela pensava assim porque tinha tomado "galho" do namorado - não entendi o que ela falou, mas compreendi pelos gestos - e saiu da mesa e foi viver a sua "liberdade" com o pessoal que estava na mesa do lado.
É engraçado como algumas pessoas perdem o controle quando tem suas "idéias" confrontadas!

Passei o dia de ontem com a frase da senhora Rapa Nui na cabeça, e comecei a relacionar com pessoas conhecidas que não conseguem sequer compor uma fotografia, fazer um rabisco no papel ou que não "entendem" nada de música. E realmente, a maioria quando consegue demonstrar algum tipo de sentimento ou emoção, é por algo tipo um carro ou quando muito por um animal!

Estou matando tempo aqui, esperando porque o "comércio" da ilha não abre muito cedo -  será que todo mundo frequenta os "butecos" durante a noite! -, enquanto o tempo passa vou tomar banho e o café. Logo mais estarei saindo para rua para fazer umas "comprinhas" para "galera".

Tocando no Walkman:

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Tangata Manu


Um breve resumo sobre a competição do homem pássaro.

Durante o 2° período da ilha - esse perído compreende uma fase de crises, onde a população  que chegou a 15 mil indivíduos, estava dividida em castas e lutava entre si pelo controle da ilha, nesse período começou a derrubada dos Moai e também o abandono de seus costumes, e o centro do poder político/religioso mudou-se para a aldeia cerimonial de Orongo.
Um jovem guerreiro – matatoa - era selecionado em cada uma das castas/clãs para competir pelo ovo da gaivota manutara - havia a crença de que Hotu Matu'a era quem enviava as gaivotas para a ilha - em uma cerimônia anual chamada Tangata Manu - homem-pássaro.
A competição compreendia sair de Orongo, descer de o penhasco de 300 metros de altura, nadar até a ilhota em frente - aproximadamente 500m -, enfrentar os tubarões, apanhar um ovo no ninho da gaivota e nadar de volta à ilha com o ovo intacto.
O vencedor recebia o título de Tangata Manu e seria o representante do Deus Make-Make e o novo rei durante o proximo ano - ou o rei atual de seu clã podia manter-se no poder - e assim obtinha privilégios para todo o seu grupo. O vencedor ainda ganhava 3 virgens "brancas", as mulheres escolhidas deviam ser cultas - conhecer a historia do seu povo - e para ficarem brancas ficavam presas em uma caverna por períodos que se estendiam por mais de um mês!

O mapa está com a indicação de alguns locais errada, depois vou corrigir e entrar com as coordenadas geográficas de cada um.

O legal é que a última cerimônia ocorreu no ano de 1876, depois disso o ritual foi proibido pelos missionários católicos!
Tocando no Walkman:
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