quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Balanço dos meus últimos 18 meses

Nessa semana fiz um balanço dos últimos 18 meses. Nesse período viajei mais de 23 mil Km, visitei duas ilhas, o local mais remoto na terra que é habitado pelo homem, a cidade mais ao sul do globo terrestre, conversei com descendentes diretos de uma linha muito antiga da civilização humana, dirigi a mais de 240km/h, mergulhei no pacífico sul, andei de trenó puxado por cães da raça Husky, conheci pessoas de todos os continentes, vi animais que nunca havia visto antes e alguns que nem se quer imaginava existirem, conheci algumas pessoas incríveis e que realmente fazem a diferença. Pisei e naveguei por onde figuras importantes da historia da humanidade passaram. Tive a oportunidade de estar em meio a paisagens fantásticas que te tiram o fôlego não importa em qual direção você olhar, isso me fez perceber que nada que o homem venha a construir conseguirá superar a beleza da natureza. Conheci ícones da cultura e da ciência.  Bebi mais de 30 marcas diferentes de cerveja. Não preciso mais me deslocar 300km diários para trabalhar, hoje saio do trabalho e em pouco mais de 3 minutos estou entrando com o carro na garagem de casa.

Por outro lado compreendi o porquê de alguns povos terem aversão ao brasileiro, vi com os meus olhos os motivos pelos quais o Brasil tem certa imagem no exterior, nesse período conheci a ganância humana, a indiferença e a hipocrisia, pela primeira vez vi tanta gente mal-intencionada e preguiçosa reunida em um mesmo lugar, conheci pessoas egocêntricas e promíscuas, corruptas e incompetentes, conheci pessoas realmente más e percebi que alguns nascem sem a menor vocação para serem "humanos".
Entendi que não é uma questão de classe social ou de formação, e que a idade também não importa no que diz respeito aos valores éticos e morais, percebi o quanto é fácil as pessoas se corromperem por alguns míseros trocados. 
Confirmei o que Cesar Lattes disse a muito tempo, que no Brasil já não se faz mais ciência pela ciência e sim pelos "papéis", vi também como as pessoas hoje gostam de brincar de cientistas e também de trabalhar. Pela primeira vez em 15 anos preciso me esforçar para sair de casa para ir para o trabalho. Constatei a volatilidade dos sentimentos e como é natural para algumas pessoas ser superficial e indiferente. Vi como é simples compensar a ausência com "presentinhos" e como fica comodo projetar nos outros as nossas falhas.
Notei que fora do Brasil poucos assinam com a titulação a frente do seu nome, que quem compra um SUV é porque tem uma família grande e precisa carregar as tralhas da criançada, que quem dirige uma pickup é porque exerce trabalho braçal e precisa carregar as ferramentas, e quem quer pagar embuste paga mais de meio milhão de dólares em um carro esportivo!
Percebi que existem alguns brasileiros que conseguem ser mais idiotas do que qualquer outro povo e  que vivo em um país acultural onde o modismo - aqui no sul, o do bagualismo - norteia os momentos.
Tenho a cada dia mais certeza de que a educação no Brasil não passa de um engodo. Vi como é triste as pessoas confundirem liberdade com promiscuidade. Ouvi "ecochatos" falando em ser ecologicamente corretos e acolhendo animais de rua, e no entendo, tratarem o seu semelhante sem um mínimo de humanidade. Ouvi pessoas imorais se intitularem moralistas. Vi também como as pessoas justificam "viver abusivamente" com "viver intensamente".

Isso tudo reforça meu pensamento de que:
Não é tao simples viver a vida, mas precisamos vivê-la de maneira tal que quando chegarmos ao fim da nossa existência, sem arrependimentos, tenhamos certeza de que valeu a pena ter vivido cada momento. 
E entre tantos filmes e seriados que assisti nesses meses percebi como alguns realmente imitam a vida real. No final do filme Shutter Island o personagem de Leonardo DiCaprio se pergunta o que seria pior:
Viver como um monstro ou morrer como um homem bom?
Hoje eu vejo que não é só a América do Norte que se tornou um lugar cruel e corrompido, e assim como Frank - personagem em God Bless America - me pergunto:  
O que nos tornamos?
Nós recompensamos o que há de mais superficial, mais estúpido, pior e mais barulhento.
Não temos mais senso de decência, de vergonha, de certo ou errado.
As piores qualidades nas pessoas é o que nos chama atenção e atrai.
Mentir e espalhar o medo é bom. Contanto que se ganhe dinheiro ...
Nós perdemos a nossa bondade.
Nós perdemos a nossa alma.
Esse período de 18 meses, com raras exceções, não me serviu para nada a não ser para me levar a perder o restante de  fé no ser humano, que eu ainda carregava, e em 34 anos pela primeira vez na vida me arrependo de decisões que tomei e de escolhas que fiz.
Hoje se eu tivesse uma máquina (como a dos observadores) capaz de apagar esses 18 meses da linha do tempo, essa seria uma boa oportunidade para utilizá-la.


Tocando no Walkman:

3 comentários:

  1. Grandes palavras, Luciano... Não tenho tua vivência e tampouco teus olhos, mas vejo algumas coisas em comum. Uma bom exemplo é a parte em que você fala da maneira em que se confunde o "viver abusivamente" com "viver intensamente" ou "aproveitar bem a vida", como alguns já me disseram.

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  2. Nossa, que texto...há muita coisa aí que eu mesma gostaria de ter dito...fico por cá agora com minhas reflexões...

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    Respostas
    1. Oi Ana

      E eu fico aqui sem saber se feliz, por ver que outras pessoas também a mesma percepção dos fatos que eu, ou tristes, por saber que o que vejo não é apenas devaneio meu :S


      []´s
      Luciano

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L.S.T.

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