sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Let there be Rock

Tsh, claro, eu sei, o professor Luciano "é do Rock"! 
Sempre que ouço algo assim tento entender o motivo que leva as pessoas a fazerem essa associação.
Seria por que eu não faço a barba com muita frequência, ou seria por causa das minhas tatuagens? Por causa da música que eu ouço é que não é!
Então o mais correto seria dizer "o Luciano é da boa música", mas para isso seria preciso entender uma frase que dou como resposta quando me perguntam o que eu defino como uma boa música.

"Para mim a boa música é aquela que a gente sente e não ouve!"

Para compreender essa frase é necessário um amadurecimento do gosto musical, mesmo que a questão não seja entrar no julgamento do que é bom ou ruim, mesmo porque, o bom ou ruim é uma questão de gosto, o fato é que alguns não tem, ou se tem, é um mau gosto decorrente da imaturidade cultural que felizmente alguns superam com o passar do tempo.

Nas minhas "veias" correm o Blues, o Jazz e o RnR, fontes que vertem para todos os estilos musicais modernos, até mesmo para o superficial Sertanejo Universitário e demais estilos sem personalidade que poluem as emissoras de rádio e TV de nosso acultural país.
O Luciano "da boa música", sem levar em consideração o absurdo modismo do "chucrismo" proliferado  por estes que enchem a boca para  pronunciar "eu sou gaúcho" sem conhecer a etimologia da própria palavra gaúcho, ouve o fronteiriço Leonel Gomez autor de músicas como Romance Musiqueiro e Alvorotada, que canta Acalambrado e Campo Santo!
O Luciano "da boa música" gosta de Norah Jones que conseguiu popularizar o Jazz sem corrompe-lo e agora se reinventou num estilo meio "Madona" e com guitarras elétrica mais salientes. Da brasileira Sandy Leah que no seu primeiro trabalho autoral mostrou o verdadeiro talento, mas ao que parece se arrependeu, pois não gravou mais nada de novo, e não sei porque, sempre tenta justificar suas composições, quando basta dizer que se ouve e se canta aquilo que se vive e que se sente!
O Luciano "da boa música" ouve também o minimalista Matthew Barber, e o as vezes frenético, guitarrista e cantor John Mayer, e também Amos Lee, que como Mayer já tocou com a Norah Jones.
O Luciano "da boa música" gosta ainda de Stevie Ray Vaughan e Slipknot, de Obituary, dos também minimalistas Flat Duo Jets e dos caipiras "rockers" Chrystian e RalfAlmir Sater.
Essa é uma sem fim, que ainda traz Brandi Carlile e toda aquela massa de rock gaúcho da década de 1980 e 1990 e todo o meu "Tocando no walkman".

Penso que se é para dançar então dancemos um tango, que se é para enlouquecer dançando que se enlouqueça em uma RAVE sob as pancadas eletrônicas de The Chemical Brothers e Fatboy Slim, que se é para curtir, que se curta um Rock, então Let there be Rock!


PS: Toca no Walkman porque o Luciano "da boa música" é do tempo da fita K-7, é um analógico nos tempos do digital.
As músicas do playlist não são escolhidas ao acaso, são músicas que eu ouvia quando ocorreram os fatos relatados ou durante a redação do post.

domingo, 2 de setembro de 2012

Uma sociedade secreta.

O importante desse vídeo está nos 1 minuto e 20 segundos!

A cada dia me sinto mais frustrado com uma luta que começa a perder o sentido a medida que percebo que o lado negro da força passa a ocupar todos os espaços possíveis na sociedade, inclusive, e hoje mais do que nunca, nas escolas.

O que ainda me faz seguir em frente é a consciência de que assumi um compromisso social quando escolhi a docência como profissão - Eu ESCOLHI ser professor, não foi por falta de competência para qualquer outra coisa, como aqueles que poluem as escolas. Muito menos pelo salário que não é grande coisa, escolhi essa carreira por um ideal, se fosse pelo dinheiro ainda estaria trabalhado como programador em troca de um BOM salário. Se fosse pelo comodismo ainda trabalharia como técnico administrativo com os turnos de trabalho certinhos, com horário para entrada e saída. Se fosse por outro motivo, hoje eu talvez já tivesse me corrompido e estaria me "tapeando", como muitos, por uma função de chefia ou cargo de direção.

Ouço, as vezes, pessoas "muito" comprometidas com o ensino falando que é preciso ter perfil para atuar como docente e me pergunto se o que listo a seguir serve para alguma coisa!
  • O fato de já ter dado aulas, em resumo, de algorítimos, diferentes linguagens de programação, física e matemática entre outras;
  • Ter uma formação que me permite ver onde cada área da ciência entra na minha área de atuação;
  • Ter trabalhado por mais de 11 anos com crianças, adolescentes, adultos e idosos, em todos os níveis de ensino;
  • Ter atuado por mais de 9 anos como técnico administrativo em ambiente corporativo - programando para uma multinacional ou fazendo manutenção em um grande parque de máquinas, ou gerenciando uma rede de computadores de tamanho considerável;
  • Ter trabalhado com profissionais sérios e do mais alto gabarito (com alguns trastes também).
Acredito que tudo isso aliado ao muito mais que compreende o ser professor, me permite hoje transpor o conhecimento científico para  o conhecimento escolar - a isso podemos chamar de transposição didática - , e também, trabalhar de maneira transdisciplinar, além de propiciar uma aprendizagem significativa. E se ainda assim não tenho o tal perfil, talvez me falte agora fazer parte da sociedade secreta que vou descrever mais abaixo.

São muitas as pessoas que questionam a escola de hoje, começando por Bill Gates e indo até os pais dos meus alunos. Aqueles pais conscientes e preocupados com o futuro do seu filho, e que depositam na escola a esperança de que ali aconteça aquilo a que uma escola de verdade se propõem, que é a formação de um cidadão critico e atuante, e mais, em uma escola de ensino técnico profissionalizante, a formação de um profissional competente.  

Para mim as vezes é difícil entender como, mas muitos alunos acreditam que as coisas acontecem apenas fazendo pensamento positivo, ou apenas "sendo" esforçado. De onde vem esse pensamento?
E ainda essa visão romântica e irreal da vida que a escola de hoje apresenta as pessoas e leva a pensamentos como:
  • Meu professor é muito duro comigo, me fala as verdades e eu não gosto de ouvir, eu vivo num conto de fadas e não quero sair dele.
  • O professor é muito rígido, cheguei atrasado e ele não entende que eu tenho que ficar mosqueando no corredor, preciso de alguns minutos até achar o rumo da minha sala.
  • Meu professor exige de mais de mim, além de vir a escola ele quer que eu estude em casa, ele diz que preciso saber no mínimo o elementar.
Os meus pais não ganharam nada de presente na vida deles, precisaram trabalhar duro para sair de um porão alugado onde moravam logo depois de casados, para hoje, deixar um "legado" para mim e meus irmãos. Para se ter uma ideia de quão grande eram as dificuldades, meu pai era fumante, e quando eu nasci ele precisou optar entre o cigarro e o leite para alimentar o filho recém nascido, porque o dinheiro era "curto".
Eu também não ganhei nada de mãos beijadas e se estou chegando a algum lugar, não é porque "Deus quis assim", nem por causa do meu pensamento positivo, é porque eu me dispus a dormir 4 horas por noite para poder estudar e trabalhar ao mesmo tempo, porque nunca me incomodei de me deslocar 300km diariamente para trabalhar, porque nunca achei ruim voltar para casa depois das 23h pegando aquele vento cortante com garoa gelada de frente na rua 24h. Se sei alguma coisa é porque eu nunca esperei nada mastigado, sempre fui em busca do que precisava para aprender.
Eu não conquistei meu espaço no mercado de trabalho me fazendo de "coitadinho", e por isso estão me dando uma chance, ou porque sou puxa saco de algum político. Se hoje tenho emprego e outras portas abertas é porque sou competente e existem pessoas que acreditam no meu trabalho.

A cada reunião de pais, eu olho e penso o quanto eles lutaram para ter seu filho ali, bem vestido e vivendo dignamente, e me pergunto novamente de onde vem esse pensamento de que a vida é fácil, será que é de casa,  da TV ou é da escola mesmo?

Para facilitar a compreensão de estou querendo dizer eu exemplifico com a seguinte suposição:
Hoje, ao que me parece, vem se formando uma sociedade secreta dos Medíocres e Incompetentes, seus membros: pessoas ignorantes e profissionais incompetentes. Esses que no passando foram aqueles alunos empurrados para frente, não aprenderam nada além de como ser um espertalhão e de como viver sem escrúpulos. 
E esses "empurrados" de hoje, amanhã poderão ser o nosso prefeito, o nosso supervisor, será o técnico em informática que vai fazer manutenção no computador onde estão guardas as tuas fotografias, tua coleção de mp3 e todos os teus documentos importantes.
Fechando o circulo, serão eles que amanhã inseridos na sociedade darão continuidade a essa política que eu chamo de "ponta a ponta" dando subsídios para trazer para "cima" os seus semelhantes.

A minha preocupação não é com o mercado de trabalho, pois acredito que o bom profissional, aquele que é competente e tem consciência do que faz sempre terá o seu lugar garantido pelo seu mérito, porém e infelizmente, sempre precisará dividir o espaço com essa "escória social" que existe atrapalhar.

Em meio a esse circo eu ainda tenho que ouvir pessoas questionarem meu comprometimento, e ai eu volto a me perguntar:
  • Ser uns dos primeiros a chegar no trabalho; 
  • No turno da noite ser um dos últimos, quando não o último a sair do campus;
  • Fazer o meu trabalho e o dos outros;
  • Atender alunos no fim de semana;
  • Receber aluno em casa, fora de horário;
  • Estar continuamente estudando sobre todos os assuntos e sobre todas as áreas;
  • Sair a passeio e levar junto os trabalhos para ler e corrigir (não por falta de organização);
  • Parar o carro na estrada para responder um email porque seu aluno ter urgência no retorno.
Poderia continuar enumerando, mas vou resumir dizendo que o meu comprometimento é com a qualidade da educação, não com as políticas educacionais que cada escola e supervisor, inconsequente e alienado, se encarrega de distorcer. Hoje meu comprometimento é com o pai do aluno que deposita em mim a esperança no futuro do seu filho.
Descomprometida é a "escola" que mente para o aluno, e além de tudo é inconsequente levando a ele um a visão distorcida da vida. A escola que não tem supervisão fica assim, NÃO ensina a aprender, NÃO ensina a fazer, NÃO ensina a viver, muito menos em sociedade,  NÃO ensina a ser nada além de um espertalhão e oportunista. 
Nesse contexto quando falo "escola" estou resumindo o conjunto a professores, diretores e supervisores. Desse pequeno grupo vejamos do que lhes cabe segundo a LDB.
Artigo 13 - Os docentes incumbir-se-ão (entre outros) de :

III. zelar pela aprendizagem dos alunos;

V. ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento profissional;

VI. colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade.
Em nenhum lugar eu li que professor tem que ser "amigo" do aluno - "prof meu bruxo" não existe -, professor não deve íntimo e não tem que dar festinhas para os seus alunos. O professor dever ser próximo ao aluno, no sentido de estar ao alcance dele, mas íntimo nunca.

A LDB ainda fala que os professores merecem um profissional para supervisão e orientação educacional, está lá no artigo 64 assim.
Artigo 64 - A formação de profissionais de educação para administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica, será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação, a critério da instituição de ensino, garantida, nesta formação a base comum nacional.
Se esse supervisor deve ser graduado, entendo então que ele estudou e para conquistar o título foi avaliado. Se foi avaliado e conquistou o título ele deve saber no mínimo 70% do que estudou, isso é, no mínimo o elementar da sua área de formação. Essa é uma linha de raciocínio fácil de seguir, até aqueles meus aluninhos de 5 e 6 anos conseguiriam acompanhar, não é difícil.
Acredito não basta ter o título, se vai prestar orientação educacional, deve saber então o básico sobre o que vai orientar, no caso o que está escrito na Lei de Diretrizes e Bases da Educação nacional, ou melhor, deve saber interpretar o que está escrito ali. Compreendo que as vezes para alguns é difícil se expressar falando, muito mais é, compreender um texto que por vezes é um pouco complexo e em alguns trechos parece ambíguo, mas não custa nada devemos deixar nossos interesses e vaidades pessoais de lado e tentar superar nossas limitações, um bom começo as vezes é reconhecer a nossa mediocridade. 

A "escola descomprometida",  inconsequente e sem supervisão não se preocupa com nada além dos números, quantos se formarão se formarão e consequentemente o quanto virá de financiamento no ano seguinte.
Eu, particularmente,  prefiro viver por alguns anos as "vacas magras", formando meia dúzia de profissionais de alto quilate, do que colaborar com essa política de números e com o crescimento dessa sociedade secreta. Quero que o aluno procure a escola onde eu trabalho porque busca um ensino de excelência e não porque vem em busca de um status que na verdade nem se quer existe, e muito menos porque já ouviu falar que bastar se matricular para ser aprovado no fim do ano.

Sei que se eu for conivente com essa palhaçada, é de mim que o aluno vai lembrar quando sair para o estágio e NÃO souber nem para que lado se aperta um parafuso, pois a culpa é do professor/escola que o iludiu com esse mundo utópico. A mim importa poder ir ao supermercado sem ter que ouvir comentários de como a comunidade enxerga o a minha escola, de como ela é considera um engodo. Quero ter a consciência tranquila sabendo que quem sustenta esse circo não sou eu.

Deixo algumas referências para consulta, pois por mais incrível que pareça, existem pessoas ligadas a educação, que mesmo, apesar de sua formação, não sabem a finalidade de um instrumento de avaliação - talvez façam parte da sociedade secreta que citei mais acima -, quem dera saber o significado de transposição didática ou sobre teorias da aprendizagem, ou conhecer os pilares e dimensões da educação. E pelo tamanho da bagunça que fazem e pela quantidade de equívocos, com certeza não sabem nem mesmo para que foram instaurados os Institutos Federais de Ciência e Tecnologia.

Pensando agora me pergunto, mas afinal quem sou eu para falar sobre educação se eu não passo de um NERD da computação, um louco que mexe com robôs, um alienado que toca guitarra e ouve Rock n'Roll, eu nem mesmo faço parte dessa sociedade secreta muito menos sou pedagogo e também não sei nada de sociologia. Com isso imagino o quão frustrante e constrangedor deve ser não saber o elementar de sua profissão, como deve ser causticante quando alguém se percebe como um completo incompetente!

Referências:

Para quem trabalha em um Instituto Federal de Ciência e Tecnologia e não sabe o que faz lá dentro:

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